Morar no Centro de São Paulo: como é essa experiência?
Não vão faltar pessoas na sua vida que quando ouvirem sua ideia de morar no centro de São Paulo já vão fazer uma reza braba e temer pelo seu bem-estar. Não são poucas as notícias sobre assaltos, crimes em geral, sensação de insegurança, sujeira e a Cracolândia.
Então como é possível que ao conversar com alguém que mora no centro de São Paulo é provável que ela te diga que não troca aquilo ali por coisa nenhuma?
Neste texto vou tentar apresentar um relato balanceado, de alguém que morou na República (em um prédio com mais 4999 moradores – um número não muito bem calculado, na opinião deste que vos fala) e em outros bairros de São Paulo, além de pesquisar e viver a cidade para trazer o melhor conteúdo possível para este site.
E, claro, adoraria ouvir sua opinião! Pode mandar um email para faleconosco@moraremsaopaulo.com.br, deixar um comentário aqui embaixo ou mandar um Whats para (11) 9335 49136.
“Morar no Centro de São Paulo? Você está louco?”
A verdade é que há vários “centros de São Paulo”. Se você me diz que vai morar na região da estação da Luz, eu mesmo vou dizer que é uma coisa “exótica” (não vou pesar nas palavras antes de saber mais sobre suas razões).
Agora, se você me diz que vai morar na Avenida São Luis, eu vou concordar com o vídeo abaixo de Raul Juste Lores e dizer que você estará na melhor avenida de São Paulo.
A distância entre esses dois pontos que citei? Menos de 2 quilômetros.

Aliás, dá para citar vários pontos que são excelentes de morar em uma rua e horríveis de morar na rua de baixo. Por isso antes de decidir morar no centro de São Paulo, mais que em qualquer lugar da cidade, é preciso saber exatamente como é a rua, sua segurança, que comércio fica aberto e dá vida à região, qual é a frequência de pedestres, ônibus e o barulho em geral. Ou seja, não é uma tarefa fácil.
Minha escolha, quando ainda existia uma coisa chamada pandemia, foi morar no Copan. O lendário prédio de São Paulo estava ganhando ares míticos, ou melhor, sobrenaturais, com a história dos fantasmas. Mas independente do que você acha do Gasparzinho, um problema muito maior ainda era a insegurança da região, com a gangue das bicicletas roubando celulares todos os dias, inclusive entrando nas galerias do prédio.
Mesmo com a abertura de vários comércios excelentes, que enchem durante o fim de semana e lotam as listas de melhores da cidade, o problema só foi ser melhorado anos depois, com o estabelecimento de patrulhas fixas e mais policiamento. Não dá para dizer que o centro está seguro hoje, mas está mais seguro do que alguns anos atrás, seja em números ou na sensação ao andar por algumas das ruas. Mas como disse acima, o que é verdade em uma rua, não é verdade na seguinte.
Porque morar no centro de São Paulo
A vida na rua é um dos argumentos mais fortes. Não é legal ouvir parabéns para você duas da manhã, sem dúvidas. Não é bom ter bares sem noção que ignoram a Lei do Psiu muito além do bom-senso (sim, pode ter música pros seus fregueses, mas 02h da manhã de uma segunda pra terça é de F%$¨&I%).
Mas é sensacional poder descer do elevador do seu prédio e ter opções de padarias, bares, restaurantes, chaveiro, lojas de móveis de 10 mil reais, sebos com livros de um real, livrarias com proibição de livros por menos de 80 reais, supermercado ruim, Oxxo para escolher, supermercado bom, vendinha ótima, mas careira, e mais de uma feira por semana. O centro, de uma forma generalizada (a República não é a mesma coisa da Sé, eu sei), oferece isso.
A conexão com o restante de São Paulo é talvez o mais importante. Você trabalha na Faria Lima? A linha amarela conecta o centro e o seu trampo. Você tem que ir na Paulista? Pode escolher entre metrô ou vários ônibus que pegam corredor e chegam em poucos minutos. Vai pra Zona Leste? Linha Vermelha passa pela Sé, República e Anhangabaú.
Não é preciso ter carro porque a conexão com o transporte público é excelente e muitas vezes no contrafluxo, já que mesmo que o centro esteja sendo repovoado, algo muito importante, ainda tem muita mais gente indo para lá no começo da manhã e saindo de lá no fim da tarde do que o inverso.
O preço dos aluguéis e de imóveis à venda subiu muito nos últimos anos, empurrado pela maior compreensão sobre os problemas da região e a valorização de seus pontos fortes. Mas ainda é mais barato morar no centro que em Pinheiros, Jardins ou Higienópolis, só para ficar em bairros “próximos”.
Porque não morar no centro de São Paulo
O barulho (eterno). Os furtos (acontecem em toda a cidade, mas a sensação de insegurança é grande em muitas ruas do centro). A sujeira (melhorou). O valor dos aluguéis que subiu demais. Morar no centro de São Paulo não é para todos, especialmente para famílias ou pessoas acostumadas com cidades mais pacatas e que gostam de chegar em casa e ouvir seus pensamentos.
A verdade é que o centro é um lugar curioso porque ele é ao mesmo tempo que prova que soubemos pensar, planejar e construir uma zona de uma cidade, algo que não pode ser dito de 97% da cidade de São Paulo, mas não soubemos cuidar, seja por incompetência ou de forma premeditada, com as políticas que esvaziaram a região por décadas e décadas.
Mas para terminar o texto de forma um pouco mais otimista: moradores, empreendedores e pessoas com boas intenções estão sabendo reerguer o lugar. Aproveite um sábado de sol para comer em um restaurante da região e tomar um sorvete ou até andar no Parque Minhocão que você vai ver isso.






